Metade dos integrantes da quadrilha da grega que fraudava eleições no Estado do Rio de Janeiro desde 1990 é lotada no gabinete do presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Nader. O promotor Marcos Ramayana vai oferecer denúncia por formação de quadrilha para prática de crime eleitoral contra a grega Maria Stavrinou, o advogado João Cabral e os servidores de Nader, Chicão e Roberto Ricardo Silva, o segundo homem na hierarquia da máfia da fraude. O bando foi preso há uma semana quando vendia votos num escritório no centro do Rio. O grau de participação de assessores de Nader no cartel da fraude, entretanto, pode aumentar: o misterioso professor Wilson-- cujo telefone aparece na agenda da grega e que foi denunciado como membro da quadrilha pelo próprio Roberto Ricardo-- chama-se Wilson Bernardes Nunes e trabalha como assistente no gabinete de Nader. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Sepúlveda Pertence, recebeu ontem uma comissão de deputados estaduais do Rio de Janeiro preocupados com a situação eleitoral no estado. A deputada Lúcia Souto (PPS) criticou o TRE-RJ, acusando-o de omissão por não querer revelar os envolvidos nas fraudes eleitorais. "As eleições no Rio se transformaram numa questão nacional e não podem virar um impasse institucional", disse a deputada. O governador do Rio, Nilo Batista (PDT), eximiu-se da responsabilidade pela nomeação do presidente da Alerj, José Nader, para conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele afirmou que apenas cumpriu uma decisão dos deputados estaduais, que indicaram Nader para o cargo. Criticado pelo candidato do seu partido ao governo do estado, Anthony Garotinho-- que acusou Nilo de ter dado a seus adversários os argumentos que eles queriam para derrotá-lo--, o governador enfatizou que, no cargo que ocupa, não pode ter ações eleitorais. "Nas limitações do meu cargo estou na campanha do Garotinho, cumprindo as tarefas que cabem ao cidadão, não ao governador", disse (JB).