MINISTRO CULPA EX-GOVERNADOR PELA VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO

O ministro da Marinha, almirante Ivan Serpa, culpou ontem o ex-governador Leonel Brizola (PDT) pela crescente onda de criminalidade e violência no Rio de Janeiro. "Se você tem o organismo de repressão subordinado a uma determinada autoridade, e se essa repressão não é feita adequadamente, em parte a culpa cabe à autoridade", disse. Ao afirmar que o caos que se instalou na cidade não é recente, ele frisou que a situação chegou a esse ponto crítico por ineficácia das forças policiais do estado. "E estou muito preocupado porque acho que a situação está se agravando", disse Serpa. Caso as Forças Armadas sejam chamadas a combater o crime no Rio de Janeiro, a Marinha vai ajudar na operação com parte de seus oito mil fuzileiros navais-- a tropa de elite da força-- sediados na cidade. O ministro da Marinha também acredita que numa eventual intervenção das Forças Armadas no Rio as mortes serão inevitáveis. "É muito difícil você fazer qualquer ação repressiva contra um bando armado sem que daí resultem baixas. Não há nenhum exagero em se prever que num combate sério ao crime tem que haver baixas", afirmou o almirante, ao lembrar que as Forças Armadas não entram na guerra para perder. O governador do Rio de Janeiro, Nilo Batista (PDT), desafiou o governo federal a provar que a violência no Rio é maior que a de São Paulo. Ele garantiu que já pediu uma auditoria federal nas estatísticas de criminalidade do Rio e admitiu pedir uma intervenção no estado se for comprovado, através dos números, que a situação aqui é pior que a de São Paulo. Segundo o governador, o assunto da intervenção não passa de uma campanha para desmerecer seu governo. "A intervenção seria um ato político com intenções eleitorais. Jamais um democrata como o Itamar faria um ato desses", afirmou Nilo. Uma sucessão de telefonemas anônimos denunciando que algumas delegacias da zona norte sofreriam invasões na madrugada de ontem, em represália à morte de 13 supostos traficantes, dia 18, na Favela Nova Brasília, em Bonsucesso, provocou uma reação inusitada: ao invés de saírem às ruas para investigar as denúncias, policiais entrincheiraram-se em suas delegacias, preparando-se para o suposto ataque, que se revelou um blefe. O maior contigente de policiais ficou concentrado na 21a. DP (Bonsucesso), que há uma semana foi metralhada pelos ocupantes de três carros. No ataque, um detetive teve a perna amputada ao ser atingido por um tiro de fuzil AR-15. A prontidão foi autorizada pelo governador Nilo Batista e pela Secretaria de Polícia Civil, devido às informações do Serviço Reservado da Polícia Militar (P-2) de que os traficantes teriam recrutado bandidos em diversos morros para a invasão (JB).