ESTADO PRENDE MENORES EM CELAS IMUNDAS

Cheiro de urina e fezes. Os ratos, baratas e moscas disputam espaço nos cubículos de quatro metros quadrados. Há uma cama de cimento e uma meia parede que esconde o "boi"-- sanitário onde os internos defecam em pé. O calor aumenta o odor. As poucas lâmpadas estão no corredor. Dentro da escura cela, planejada para uma pessoa, estão cinco ou seis menores. De bermudas, descalços, suados, com sede e fome. São 44 menores em oito celas. Estas são as acomodações da Divisão de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Niterói (RJ). Não há pátio para o banho de sol. Os promotores da 2a. Vara de Menores estiveram no local fazendo uma inspeção e criticaram as instalações precárias, além do descumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente. Não há separação dos menores por idade ou delito. Primários estão na mesma cela daqueles que já passaram por audiências e participaram das fugas no Instituto Padre Severino e na Escola João Luiz Alves. "Tomaremos medidas judiciais para a transferência", afirmou o promotor Márcio Fernandes. A DPCA de Niterói está se transformando em depósito. Ela recebe infratores do Rio de Janeiro e de outros municípios, que não têm celas para manter os menores enquanto esperam a audiência no Juizado de Menores. Em tese, esse tempo não deveria passar de 24 horas (O Globo).