BETINHO DEFENDE REFORMA DRÁSTICA NA POLÍCIA

Uma reforma drástica e imediata na polícia é a solução apontada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e pelo presidente do Movimento Viva Rio, Rubens César Fernandes, para conter ações como as que ocorreram anteontem na Favela Nova Brasília, em Bonsucesso, zona norte do Rio de Janeiro (capital), onde 13 supostos traficantes foram mortos. Para Fernandes, o massacre demonstra que alguns segmentos da polícia carioca ignoram o governo e promovem ações autônomas que fogem ao controle do Estado. "Temos a impressão de que não há governo", disse. "Eles estão com as mãos livres para agir". Betinho endossa as afirmações de Fernandes, argumentando que a operação feita pela polícia na Nova Brasília "é criminosa e de total desrespeito à população". Para ele, as favelas do Rio vivem um estado de guerra incontrolável. "Essas operações tornam evidente o envolvimento da polícia com assaltos, sequ"estros e narcotráfico". Betinho lembra que os favelados estão indefesos diante da guerra que se instalou entre os grupos do tráfico e setores da polícia. "Acho que estamos num círculo vicioso e é preciso encontrar uma saída imediatamente". Alertando para a falta de estratégia da polícia, Fernandes diz que o Estado precisa da ajuda do governo federal. Contudo, não defende uma intervenção federal no Rio. "Qualquer intervenção neste momento é impensável, mas precisamos de ajuda", disse. Betinho destaca ainda que polícia e narcotráfico têm se revelado como dois lados de uma mesma moeda no Rio, mas é preciso resolver primeiro as deficiências da polícia. "Essa polícia é filha da ditadura", disse (O ESP).