Em decisão inédita na história do estado, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro anulou ontem, por unanimidade, as eleições para deputados federais e estaduais, e marcou novo pleito para 15 de novembro, junto com o segundo turno das eleições para governador. Os sete juízes do TRE-- que até o último dia 18 tendiam pela recontagem geral ou parcial dos votos-- recusaram esta medida depois de analisarem relatórios sobre a totalização da apuração fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O mapa da apuração do Estado do Rio de Janeiro revela que pelo menos 42 zonas eleitorais das 117 existentes tiveram índices de votos em branco inferiores a 10% nas eleições proporcionais, enquanto a média nacional foi de 17%. Os números são alarmantes e revelam que os indícios de fraude se estenderam por todo o Rio. O quadro geral mostra que a intervenção do TSE nas zonas de Bangu, Santa Cruz e Nova Iguaçu não foi suficiente para evitar irregularidades na apuração. Técnicos da Justiça Eleitoral, com base nesses dados, vinham defendendo a suspensão da recontagem dos votos e a convocação de novas eleições proporcionais, argumentando que a nova apuração não conseguiria anular os efeitos nocivos da ação dos fraudadores, pois havia indício de que os votos em branco tinham sido preenchidos. Os técnicos sustentavam que a recontagem só iria legitimar a fraude e lamentavam que os temores do presidente do TSE, Sepúlveda Pertence, tivessem se concretizado, com o preenchimento dos votos em branco para os candidatos a deputado federal e estadual durante o processo de apuração. Pelo mapa de votos em branco, a situação mais alarmante estava em uma das cinco zonas de Niterói, onde foi registrado o mais baixo índice de votos em branco de todo o país: 5,31%. Apesar da anulação das eleições proporcionais, o presidente do TSE, Sepúlveda Pertence, tentará impedir que os fraudadores fiquem impunes. Segundo seus assessores, Pertence quer que a apuração das irregularidades seja levada adiante, para que os envolvidos sejam punidos. O procurador regional eleitoral, Alcir Molina, fará investigações para impedir que candidatos beneficiados pelas fraudes participem do pleito em 15 de novembro. A anulação das eleições proporcionais mexe profundamente com o segundo turno para governador. Em vez de uma disputa isolada entre Marcello Alencar (PSDB) e Anthony Garotinho (PDT), os eleitores do Rio assistirão novamente a uma eleição casada, obrigando os candidatos a deputado a tomar partido. A primeira reação dos que já se consideravam eleitos foi de indignação. Entre os derrotados, ao contrário, a decisão foi comemorada (JB) (FSP) (O Globo).