GREENPEACE CANCELA ATO NA AMAZÔNIA

Os ecologistas do Greenpeace tiveram que cancelar na última hora a principal ação que realizariam na Amazônia-- a de denunciar que milhares de metros cúbicos de madeira estão apodrecendo no Lago do Quelé, município de Itacoatiara, sede das madeireiras Ghetal e Carolina, as duas maiores da América Latina. A razão aparente foi uma informação obtida pelos militantes do Greenpeace de que as madeireiras estavam mobilizando a população para um grande ato de repúdio aos ecologistas em sua chegada, ontem às 21h (23h em Brasília). A manifestação teria sido programada diretamente pelo governador Gilberto Mestrinho, segundo informaram assessores que ontem aguardavam a chegada do navio Greenpeace ao porto de Itacoatiara. A Polícia Militar do Amazonas confirmou o deslocamento para o município de 100 soldados. "É apenas para manter a segurança das nossas empresas", justificou o prefeito em exercício de Itacoatiara e porta-voz das madeireiras, Miron Fogaça, admitindo que a manifestação tinha sido mesmo planejada. Dono da madeireira Universo, Fogaça disse que não há madeira estragando no fundo do Lago do Quelé, onde estariam depositados 100 mil metros cúbicos de toras. "A madeira dentro dágua não estraga porque há oxigênio para mantê-la em bom estado de conservação", afirmou. Segundo Fogaça, a decisão das madeireiras era "jogar pedra no Greenpeace depois que eles atirassem a primeira". O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Madeireiros de Itacoatiara, Militão Martins, endossou as denúncias, afirmando que o Lago do Quelé foi tomado de seus verdadeiros donos, os caboclos. "Hoje ninguém mais pode pescar no lago porque há madeira em tora para tudo quanto é lado", disse, acrescentando que a navegação de barcos no local também está prejudicada (JB).