FAZENDEIRO É ACUSADO DE CHACINA NO AMAPÁ

Uma disputa por terras pode ter sido a razão do assassinato brutal, em fevereiro deste ano, de cinco membros da família Magave, na Fazenda Campo Alegre, na cidade do Amapá, a 22 quilômetros de Macapá, capital do Estado do Amapá. O mandante, de acordo com o depoimento de um dos assassinos, Gilberto Rodrigues da Silva, 40 anos, o "Goiano"-- já preso junto com quatro comparsas--, seria o latifundiário Aderbal Távola, 68 anos, dono de uma gleba de 2.400 hectares, vizinha às terras dos Magave, que há 50 anos ocupam um sítio de 571 hectares demarcados pelo INCRA. Imprensado entre dois latifúndios, os Magave vinham sendo pressionados para vender suas terras. Os cinco familiares assassinados foram baleados e trucidados a golpes de facão. Nem a matriarca dona Nadir, de 92 anos, cega e entrevada numa cama, foi poupada. A família vivia da agricultura de subsistência e também vendia porcos. Algumas das vítimas tiveram seus corpos cortados por motosserras. A chacina ocorreu entre os dias três e quatro de fevereiro e os cadáveres-- ou parte deles-- só foram encontrados 20 dias depois. O fazendeiro Aderbal Távola, tio do prefeito da cidade do Amapá, Américo Távola, chegou a ter a prisão preventiva decretada, mas conseguiu habeas corpus. Usou como álibi o argumento de que, entre os dias 31 de janeiro e cinco de fevereiro, estava na capital, em companhia de seu motorista. O que ele não contava era que "Sereia", o motorista, confessaria o crime dias depois (JB).