ELEIÇÃO GARANTE CRESCIMENTO DE RURALISTAS NO CONGRESSO

As eleições deste ano aumentaram a força da bancada ruralista do Congresso Nacional-- composta por parlamentares ligados aos produtores rurais. Atualmente com pouco mais de 100 votos, a bancada deverá somar cerca de 150 parlamentares. O maior crescimento dos ruralistas aconteceu no Senado Federal. Dois dos deputados mais atuantes da bancada vão passar os próximos oito anos como senadores. São eles Jonas Pinheiro (PFL-MT) e Leomar Quintanilha (PPR-TO). A nova safra de senadores ruralistas reúne, pelo menos, outros 10 parlamentares. Entre eles, ex-governadores como Íris Rezende (PMDB-GO), Vilson Kleinubing (PFL-SC), Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) e Romero Jucá (PPR-RR). Na próxima legislatura devem representar cerca de 15% das cadeiras do Senado. Na Câmara dos Deputados, os ruralistas perderam representantes conhecidos, como Ronaldo Caiado (PFL-GO) e Victor Faccioni (PPR-RS), que não conseguiram se reeleger. Mas os eleitos superam em número aos que fracassaram nas urnas. Entre os que vão reforçar a bancada na próxima legislatura estão Abelardo Lupion (PFL-PR), Renan Kurtz (PDT-RS), Danilo de Castro (PSDB-MG), Nélson Marchezan (PPR-RS), José Resende (PTB-MG), Dilceu Sperafico (PPR-PR) e Paulo Romano (PFL-MG). Conhecidos por seu poder de negociação, os ruralistas sempre impediram votações que interessam ao governo para impor as reivindicações dos produtores rurais. "Vamos enfrentar o novo governo sempre que for necessário", disse o deputado ruralista Nélson Marquezelli (PTB-SP), atual presidente da Comissão de Agricultura da Câmara. Os ruralistas querem a eliminação total da TR (taxa referencial de juros) para os contratos de crédito agrícola, juros mais baixos para o setor e a adoção do sistema de equivalência preço-produto-- pelo qual as dívidas com o setor financeiro podem ser quitadas com produtos equivalentes ao valor inicial do empréstimo (FSP).