PARLAMENTARES EMPREGAM PARENTES NO CONGRESSO

As urnas que rejeitaram boa parte dos atuais deputados e senadores também ameaçam desempregar 70 filhos, mulheres, irmãos, sobrinhos e outros parentes de políticos, que transformaram o Congresso Nacional em cabide de emprego. As três famílias mais castigadas pela eleição deste ano são as dos deputados Adelaide Neri (PMDB-AC) e Costa Ferreira (PFL-MA) e do senador Meira Filho (PFL-DF). Cada uma tem quatro integrantes trabalhando no Congresso. Já no Amapá as urnas foram generosas com a família do deputado Gilvan Borges (PMDB-AP). Eleito senador com 35 anos, idade mínima exigida pela Constituição, Borges vai levar para o Senado a mãe, Cícera Pinheiro Borges, os irmãos Geová Pinheiro Borges e Luís Geonílson Borges e a mulher, Maria Marlene Barriga Borges. "Eles seguem comigo para o Senado. São de absoluta confiança e trabalham 24 horas por dia", afirmou o parlamentar. A contratação de parentes não passa por qualquer controle da direção das duas Casas. O diretor-geral da Câmara Adelmar Sabino, disse que cabe ao parlamentar fazer a indicação do funcionário que vai trabalhar em seu gabinete. Cada deputado pode empregar no mínimo cinco e no máximo 16 pessoas. Os salários somados não podem ultrapassar R$6,7 mil e o maior é de R$2,18 mil. No Senado, cada gabinete dispõe de três vagas de assessores, com vencimentos em torno de R$2,9 mil. Com essas vagas à disposição, muitos não resistem à tentação de nomear parentes. O presidente do Senado, Humberto Lucena (PMDB-PB), é um deles. No seu gabinete, só trabalham o filho Humberto Lucena Júnior e a sobrinha Esmeralda Jácome de Lucena. Mas outros oito integrantes da família ocupam cargos de confiança em gabinetes de outros parlamentares há mais de 10 anos. A troca de nomeações é comum no Senado e na Câmara. Quando assumiu o mandato pela primeira vez, em 1987, o então desconhecido Benito Gama (PFL- BA) empregou a mulher do deputado Osmundo Rebouças (PMDB-CE), que contratou a mulher de Benito (O ESP).