Os 300 mil índios brasileiros, espalhados por 170 etnias diferentes, em todos os estados da Federação, continuarão sem representantes no Congresso Nacional e nas assembléias legislativas. De Roraima ao Rio Grande do Sul, passando por Brasília, todos os oito candidatos índios foram derrotados nas urnas. Um dos mais conhecidos caciques do país, Mário Juruna tentou voltar à Câmara dos Deputados concorrendo pelo PDT do Distrito Federal e não foi eleito. O mesmo aconteceu com o ex-piloto da FUNAI Marcos Terena, coordenador da parte indígena da Rio-92, que voltou a fracassar em sua tentativa de chegar ao Congresso pelo PT. Os dois tiveram votação insignficante no Distrito Federal. No Rio Grande do Sul, o índio caigangue Jairo Sales lançou-se à Câmara pelo PTB e também foi derrotado nas urnas. Quem teve melhor performance nas urnas foi o índio comunista Pedro Mendes Ticuna, que concorreu à Assembléia Legislativa do Amazonas pelo PC do B. Residente em Benjamin Constant, no Alto Solimões, Pedro Mendes obteve 1.126 votos. Foi abandonado pela tribo, uma das mais numerosas do Brasil, com 20 mil índios, a maioria em adiantado estado de aculturação. Com um discurso denunciando as mazelas do capitalismo e tendo como principal bandeira a demarcação das terras indígenas, Pedro Mendes se considera traído pela tribo (JB).