MAIS DE UM BILHÃO DE PESSOAS VIVEM COM MENOS DE US$1 POR DIA

Cerca de 800 milhões de pessoas têm subnutrição crônica nos países em desenvolvimento. Nada menos do que 1,3 bilhão de pessoas sobrevivem com menos de US$1 por dia, segundo o mais recente informe sobre a fome, divulgado ontem em Washington (EUA). Na América Latina, há 58 milhões de famintos: mais da metade-- 32 milhões-- está no Brasil. O caso brasileiro é explicado pela desigualdade de distribuição de rendas. Mesmo Bangladesh, que tem um Produto Interno Bruto (PIB) correspondente a menos de um quarto do PIB do Brasil, os mais pobres têm uma renda anual levemente maior (US$584) que a dos brasileiros (US$551). Em termos de nutrição, há dois países dentro das mesmas fronteiras.
83004 Entre 1985 e 1992, o Brasil produziu alimentos para cobrir as necessidades
83004 de calorias e proteínas de seu povo. O Brasil é o terceiro maior
83004 exportador de produtos agrícolas. No entanto, 60 milhões de brasileiros
83004 vivem em extrema pobreza: 32 milhões (equivalente à toda a população da
83004 Argentina) passam fome diariamente, diz o documento, lembrando ainda que cinco milhões dos famintos são menores de cinco anos. Segundo o levantamento feito pelo Bread for the World Institute (BWI), entidade que reúne pouco mais de mil igrejas dos EUA, o número de pessoas que não dispõem de uma dieta adequada (2.350 calorias por dia) aumentou em duas regiões: na África, a mais pobre de todas-- onde há 175 milhões de famintos (37% da população)-- e, ironicamente, no país mais rico do mundo: os EUA. Trinta milhões de norte-americanos (12% da população) não comem o suficiente para ter uma vida saudável. O crescimento da pobreza nos EUA deu um salto de 50% em apenas quatro anos. Na Ásia-Pacífico são 540 milhões de subnutridos (20% da população). A fome é fundamentalmente uma questão de política e de poder. As
83004 pessoas famintas não têm o poder de matar a sua fome. Numa democracia ou
83004 numa ditadura, a falta de influência política contribui para a
83004 persistência da fome, conclui o relatório. Segundo os técnicos que prepararam o documento, há duas causas básicas para a fome: a falta de dinheiro para comprar alimentos e a falta de terra para que elas próprias cultivem (O Globo) (JC).