A maior rebelião já ocorrida no Instituto Padre Severino, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro (capital), que funciona como um centro de triagem de 206 menores infratores, terminou na madrugada de ontem com mais de 100 fugitivos, meninos feridos e prejuízos ainda não calculados. O sado foi dramático: o instituto incendiado, depredado e saqueado pelos internos, que também atacaram uma escola municipal próxima, roubaram o carro de um sargento da Aeronáutica e ameaçaram invadir um hospital municipal. A Polícia Militar foi impedida de agir pelo secretário estadual de Justiça, Arthur Lavigne, que temia um massacre. A rebelião, ocorrida quatro dias depois de outra fuga em massa no mesmo lugar-- quando 60 menores escaparam--, pode ter sido insuflada pelos próprios monitores do Centro Brasileiro de Proteção à Infância e Adolescência (CBIA), conforme denunciou Lavigne. A fuga foi mais um capítulo da crise deflagrada desde que começou a transferência, do governo federal para o estadual, das 19 unidades de recuperação de menores infratores do estado. Preocupados com sua situação, os funcionários federais que trabalham nos centros boicotaram a administração estadual. Desde então, os incidentes se sucedem. O próprio secretário de Justiça definiu a atitude dos funcionários federais como sabotatem. O secretário de Justiça do estado afastou definitivamente os 200 monitores federais que trabalham nas unidades que abrigam menores infratores. Lavigne afirmou que esses monitores não são confiáveis e que facilitaram as fugas ocorridas no Padre Severino, desde que o estado assumiu essas unidades. Em seu lugar, o secretário já convocou 160 "voluntários emergenciais" para substituir os monitores: são professores, orientadores educacionais, bombeiros e até vigilantes de empresas particulares (JB) (O Globo).