MÁFIA DA FRAUDE NO RJ ENVOLVE ATÉ JUÍZES

As quadrilhas organizadas responsáveis pelas fraudes eleitorais no Rio de Janeiro são integradas por juízes, candidatos estaduais e federais, vereadores, cabos eleitorais e escrutinadores. A informação é de um delegado da Polícia Federal. A instituição, responsável pela repressão e investigação de crimes eleitorais, não foi convocada a planejar um esquema de prevenção às fraudes nestas eleições. Para o serviço de espionagem nas juntas de apuração, por exemplo, foram chamados policiais militares do Serviço Reservado de Informações-- por ordem do corregedor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Paulo César Salomão. Segundo a fonte da PF, o esquema das fraudes é tão antigo e organizado quanto a máfia do jogo do bicho. Ele ocorre em quase todas as zonas eleitorais e, tal como acontece com o bicho, os caciques da política garantem a perpetuação dos feudos eleitorais fluminenses com a compra de votos. Em alguns locais, esse trabalho é feito por quem conhece bem os caminhos da contravenção: os próprios bicheiros, que a cada pleito elegem seus candidatos. Este ano, vereadores ganharam uma função básica no esquema das fraudes: eram os únicos com o controle da máquina pública e foram responsáveis, por exemplo, pelo acerto que viabilizou, em cada local, a convocação de escrutinadores, mesários e presidentes de mesa comprometidos com as quadrilhas. Em alguns casos, como elos entre candidatos e juízes, eram vereadores que distribuíam a propina. Das 13 pessoas presas na PF, acusadas de fraude eleitoral, cinco estavam ligadas a um mesmo esquemaque favorecia o candidato a deputado estadual Augusto Ariston (PDT), na 24a. Zona Eleitoral (Bangu). A revelação foi feita ao juiz eleitoral Kléber Ghelfenstein pela secretária desempregada Viviane Tibúrcio, presa ao fraudar votos para Ariston. Outro preso na PF, o digitador Marcos Pereira, foi pego em flagrante na 13a. Zona Eleitoral (Barra da Tijuca), desviando votos para o candidato a deputado Sotero Cunha (PPR). A relação dos beneficiados pelas fraudes: Airton Xerez (PSDB), Augusto Ariston (PDT), Coronel Heleno (PDT), Dilson Drumond (PFL), Fernando Leite (PDT), Ivanir de Melo (PSDB), Itamar Serpa (PDT), Josilda (PDT), Lauro Monteiro (PSDB), Leda Gomes (PDT), Márcia Cibilis Viana (PDT), Paulo de Almeida (PSD), Newton Cerqueira (PP), Roberto Martins (PSC), Simão Sessim (PPR), Sotero Cunha (PPR) e Trajano Ribeiro (PDT). O PDT, PT, PSB, PV, PPR, PPS e Prona entregaram ontem documento ao corregedor-geral eleitoral, Flaquer Scartezzinni, solicitando a recontagem geral dos votos no estado e que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assuma a administração do processo eleitoral do Rio "em nome da lisura das eleições" (JB).