Passados mais de 100 dias do Plano Real, as negociações para a renovação dos acordos coletivos continuam difíceis. Por um lado, as categorias não abrem mão do reajuste mensal de salários, da reposição das perdas anuais e do aumento real de salários. Ao mesmo tempo, a Justiça já demonstrou que pretende seguir a lei do governo sem concessões de aumentos reais ou reposição das perdas passadas. Os dirigentes sindicais com datas-base próximas nunca foram tão categóricos ao afirmar que as negociações neste ano tendem a ser mais difíceis do que em outras épocas. Os trabalhadores nas indústrias de papel e cortiça de São Paulo já estão na quinta rodada de negociações com empresários para garantir um acordo nas cláusulas econômicas. Sem conseguir fechar acordo, os dirigentes do sindicato já ameaçam deflagrar greve no próximo dia 17. Reduziram sua proposta de 62,71% para 30,70% sobre os salários de março. Os empresários oferecem 16,70%. Os químicos, por sua vez, decidiram fazer uma campanha unificada entre 39 sindicatos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que reúnem cerca de 330 mil trabalhadores. "Foi o meio que nós encontramos para fortificar a categoria, diante das pressões do governo e das decisões da Justiça do Trabalho", disse Antônio Cortez, presidente do Sindicato dos Químicos de Guarulhos (SP). Desde a criação da Unidade Real de Valor (URV), em março, o sindicato dos químicos conseguiu garantir antecipações salariais de 8% a 10%, em 95% das 150 empresas de base de Guarulhos. As antecipações foram parceladas em até três vezes. Os gráficos da capital paulista, também em campanha, garantiram-- a cerca de oito mil dos 38 mil trabalhadores em indústrias gráficas-- antecipações salariais antes da data-base (1o. de novembro) de 10%, em média. Com data-base em novembro, os têxteis de São Paulo-- que somam cerca de 45 mil trabalhadores-- também começaram sua camapanha. De março para cá, a categoria conseguiu acordar com as empresas antecipações salariais de 10% a 25%, parceladas em até três meses. Os reajustes antecipados foram garantidos para aproximadamente 40% dos trabalhadores da base (GM).