BANCOS DE SANGUE VIVEM UMA NOVA ERA

O controle dos bancos de sangue no Brasil é satisfatória e está num patamar de qualidade superior ao de outros países da América Latina. Essa boa notícia foi comemorada ontem por mil médicos reunidos em São Paulo no 21o. Congresso Brasileiro de Hematologia e Hemoterapia, o Hemo 94. Os dados oficiais indicam que 73% do sangue consumido no país são distribuídos por hemocentros oficiais, que fazem todos os 10 testes sorológicos exigidos pela legislação. Os 27% de doações de sangue restantes passam por hemocentros particulares. Também em relação a estes não há o que temer. Estes hemocentros são ligados a hospitais de grandes cidades brasileiras, onde é forte o controle da opinião pública sobre a qualidade do sangue. A única brecha está naqueles lugares do país onde a medicina é tão precária que ainda são feitas as chamadas transfusões braço a braço, sem que se façam exames. Os médicos reunidos no Hemo 94 concluíram que o controle de qualidade do sangue melhorou depois que o país criou uma boa legislação regulando o assunto. Há um artigo da Constituição que proíbe a comercialização do sangue. Como este dispositivo jamais foi regulamentado, subsistem no país os bancos de sangue particulares. No entanto, acabou a doação paga de sangue, um dos motivos que levaram à propagação de doenças, como a AIDS, nos anos 80. Como a pressão sobre os hemocentros privados é grande, não se tem notícia de nenhum que descumpra a orientação das autoridades sanitárias (JB).