Em uma legislatura que será marcada pela tentativa do governo de aprovar reformas à Constituição, a Câmara Federal não contará com alguns dos principais líderes do mais poderoso bloco parlamentar que, reunindo PFL, PDS, PTB e conservadores do PMDB, aprovou a Carta de 1988: o "centrão". O derrotado mais ilustre do "centrão" é o deputado Roberto Cardoso Alves (PTB-SP), que disputava o sexto mandato. "Robertão", como ficou conhecido, celebrizou-se pela frase "É dando que se recebe", cunhada para justificar a troca de favores do governo Sarney durante a votação pelo mandato de cinco anos para o então presidente. O deputado José Lourenço (PPR-BA), líder do PFL no Congresso Constituinte, também fracassou em sua tentativa de reeleição. Ele foi um dos líderes informais do governo Sarney na Câmara e fundador do "centrão". Se confirmada sua condição de candidato a presidente do Senado Federal e, consequ"entemente, de negociador do presidente eleito Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nas negociações da reforma constitucional, o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) não contará também com Luiz Roberto Ponte (PMDB- RS), derrotado em sua disputa pelo terceiro mandato de deputado federal. Chefe da Casa Civil do governo Sarney e líder do "centrão", Ponte foi um dos deputados mais próximos do Planalto durante a Constituinte e um dos parlamentares mais articulados do grupo parlamentar que garantiu os cinco anos de mandato para Sarney e as restrições à reforma agrária. De sua bancada nordestina, o "centrão" perdeu Messias Góis (SE), vice- líder do PFL, cassado pela CPI do Orçamento e derrotado na tentativa de recuperar seu mandato. O desfalque do poderoso grupo parlamentar da Constituinte se completa com Ricardo Fiúza (PFL-PE) que, depois de ser absolvido das acusações da CPI do Orçamento, desistiu de voltar ao Congresso, para cuidar de suas fazendas no interior de Pernambuco (GM).