DESCARTADO LIVRE COMÉRCIO ENTRE UE E MERCOSUL NA AGRICULTURA

O comissário de Agricultura da União Européia (UE), René Steichen, não crê na possibilidade de os países europeus e o MERCOSUL virem a formar uma zona de livre comércio para produtos agrícolas. Na sua opinião, mesmo que a Comissão da UE proponha a criação de uma zona de livre comércio entre os dois blocos, fatalmente os produtos agrícolas estarão de fora. "Uma zona de livre comércio para produtos agrícolas não é realista", considerou o representante europeu. A sua opinião foi manifestada durante palestra que fez a representantes do governo brasileiro e também do setor ruralista nacional ontem, no Ministério da Agricultura, em Brasília (DF). Apesar de desconsiderar uma zona de livre comércio no âmbito da agricultura, Steichen tentou tranquIlizar os representantes brasileiros, salientando que a UE tem interesse em manter um bom comércio com o Brasil e os demais países do MERCOSUL. No período de 1985 a 1992, segundo afirmou, a UE consumiu 45% dos produtos agrícolas e alimentícios exportados pelo MERCOSUL. Steichen disse que a maior preocupação da UE a respeito do comércio de produtos agrícolas com o Brasil recai sobre o farelo de soja. O produto brasileiro comptete com o farelo europeu. O farelo de soja corresponde a aproximadamente 20% das exportações agrícolas brasileiras para a UE, calculadas em US$4,5 bilhões. Os países europeus exportam, aproximadamente, US$260 milhões em produtos alimentícios anualmente para o Brasil. Após a palestra, o representante da UE ouviu uma série de pleitos do setor de agribusiness brasileiro. A principal reclamação foi quanto às alíquotas de importação. Steichen explicou que essas alíquotas vão cair, conforme o acordado dentro da Rodada Uruguai do GATT, e nada mais (GM).