NOVAS OPÇÕES DE CONEXÃO À INTERNET

Até o final do ano, os micreiros brasileiros terão novas opções de conexão à Internet, além do correio eletrônico (via BBS), e do Gopher e da emulação de terminal (via Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas-IBASE). O próprio IBASE e a EMBRATEL prometem, para o fim de dezembro, conexões diretas à rede das redes através dos protocolos SLIP e PPP. Significa que será possível transformar o seu micro num nó da Internet, fazendo transferências de arquivos e login remoto sem a necessidade de intermediação por outro computador ligado a ela. A porta de entrada do IBASE na Internet deverá continuar sendo o AlterNex- - um serviço de comunicação de dados sem fins lucrativos que não permite o tráfego comercial na rede. Já a porta de entrada da EMBRATEL deverá ser a GIX (Global Internet Exchange)-- uma espécie de hub gigantesco, parte do backbone comercial da Net, o CIX (Commercial Internet Exchange). Essa porta habilitará a EMBRATEL a oferecer acesso Internet para uso de empresas com interesse na prestação de serviços on-line ou em todas as facilidades de comunicação da Net, muitas já disponíveis há algum tempo para universidades e centros de pesquisas integrantes da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), como WWW (World Wide Web) e IP-discado e IP-dedicado. Na prática, isso significa que as pessoas físicas que já acessavam a Internet através do IBASE poderão continuar a fazê-lo em dezembro, de forma ainda melhor. Ou que poderão dar preferência às facilidades de acesso oferecidas pela EMBRATEL, caso as tarifas sejam mais vantajosas. Ou, ainda, que poderão optar por usarem apenas os acessos disponibilizados pelas empresas onde trabalham, caso elas passem a ter conexão direta com Internet comercial ou através dos serviços STM-400, Renpac ou Transdata, da EMBRATEL. A grande vantagem desse último tipo de acesso é que a conta é paga pela empresa, da mesma forma que hoje a conta dos pesquisadores, professores e universitários é paga, de um modo geral, pelas instituições acadêmicas. Até dezembro, usuários do serviço STM-400 estarão em condições de receber e enviar mensagens de correio eletrônico pela Internet e de fazer FTP-Mail. A Renpac estará possibilitando FTP, WWW (Mosaic), Gopher e Telnet. E se tudo correr bem, a EMBRATEL estará oferecendo também um acesso IP-discado a 14.000 bps aos seus clientes. Até abril, teremos um serviço completo de acesso comercial à Internet, afirma Hélio Daldegan, coordenador do projeto-- o que inclui até um kit com o software/cliente e manuais para facilitar a vida do usuário. Segundo Daldegan, a EMBRATEL está preocupada em oferecer todas as condições necessárias ao incremento do uso de serviços on-line no país. Até abril de 95, três Centros Operacionais da estatal (Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo) estarão funcionando como centros de suporte para o acesso à Internet. As tarifas também estão sendo definidas de modo a permitir que as
82918 pessoas que hoje já acessam a Internet continuem em condições de fazê-
82918 lo, e de forma melhor, diz ele. Os usuários residenciais, por exemplo, deverão pagar uma tarifa que considere mais o tempo de conexão e não tanto o volume de tráfego. As empresas, uma tarifa montada exatamente no contrário. Na verdade, a composição tarifária deverá mudar, caso a caso, dependendo do tipo de serviço ao qual o usuário tenha acesso. A idéia da EMBRATEL é seguir os modelos tarifários dos Internet providers" norte-americanos e dos serviços on-line como Compuserve, Genie e America On-line. E manter as tarifas mais ou menos na mesma faixa de preço. Para se ter uma idéia, a assinatura básica da Compuserve está hoje em torno dos US$40 por mês. O usuário paga ainda o tempo de uso da linha telefônica e todos os serviços adicionais, como acesso aos bancos de dados de revistas e jornais ou o uso de catálogos eletrônicos. Aqui no Brasil, o acesso básico à Internet, via IBASE, custa mensalmente US$10 e dá direito a uma hora/mês de conexão nos horários de tarifa normal e duas nos horários de tarifa reduzida. A partir daí, o usuário paga mais US$6 pela segunda hora/mês de uso e US$4 por cada hora/mês seguinte, nos horários de tarifa normal, ou a metade desses valores nos horários de tarifa reduzida. O que, no fim das contas, acaba numa fatura de cerca de US$130 para ficar 20h por mês pendurado na Internet. A EMBRATEL pretende também incentivar ao máximo o surgimento de provedores de serviços on-line no país. Só não sabe muito bem como. Quem sabe a gente já não tem em abril uma páginas amarelas da Internet
82918 no Brasil?, diz Daldegan (Informáticaetc.-O Globo).