Até dezembro, a Internet deixará de ter no país o caráter de rede acadêmica e científica para se abrir à exploração das empresas. Um protocolo assinado recentemente entre a EMBRATEL e o CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica) promete disponibilizar a Internet para uso comercial nesse prazo. Segundo Hélio Daldegan, assessor da presidência da EMBRATEL, esse é o primeiro passo no sentido de preparar o Brasil para o contexto das futuras supervias de informação, das quais a Internet é o modelo operacional mais concreto. O acesso não será oferecido apenas a grandes corporações, acrescenta Daldegan. "O cidadão comum que possui micro, modem e linha telefônica também será beneficiado". O serviço para o pequeno usuário será feito via Renpac, sistema de transmissão de dados da EMBRATEL. As empresas, segundo Daldegan, terão conexão através do serviço Transdata, que permite o link de redes. Viabiliza-se ainda a instalação de interface modelo SMTP (Simple Mail Transfer Protocol) para possibilitar que também o sistema STM-400, da mesma EMBRATEL, envie mensagens a nós da Internet, cujo protocolo padrão é o TCP/IP. Para Tadao Tajahashi, coordenador do CNPq, o acordo recém-firmado tem como consequ"ência de médio prazo a entrada de pequenas e médias empresas de consultoria on-line. "Há uma demanda por informação rápida e de fácil acesso na América do Sul", adianta Takahashi. "Até agora, ela foi mal suprida por periódicos, publicações e eventos". Na sua opinião, a Internet se mostrará como o principal canal de comunicação do Cone Sul. Atualmente, a conexão à Internet é feita geralmente pelas universidades, que enviam e recebem mensagens de todas as partes do mundo. Para quem não está atrelado a uma instituição acadêmica, no entanto, é possível a conexão via Internet. Vários BBS também permitem o acesso. Entretanto, a maioria não permite a chegada ao grande filão: as bases de dados e conversações on-line. Para o coordenador de mensagens da Rede Brasileira de Teleinformática (RBT), Jorge Quintão, a atual abertura chega tarde. Estamos esperando uma medida nesse sentido há anos, reclama. Segundo ele, a legislação vigente praticamente impede o acesso à Internet, que só pode ser feito via Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE). Essa opção torna-se inviável para um BBS, por causa das taxas cobradas. Segundo ele, elas podem chegar a R$0,25 por minuto, em determinados horários (Informática-O ESP).