O UNICEF entregou ao presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), relatório alertando que o país corre o risco de não cumprir as metas de melhoria dos índices de educação e saúde até o ano 2000. O documento, recheado de gráficos e tabelas, alerta que, embora tenha se comprometido com a Cúpula pela Criança, o Brasil dificilmente conseguirá reduzir, até o fim do século, em um quinto os casos de desnutrição aguda nos menores de cinco anos. Segundo o UNICEF, entre 1990 e 1993, 7% das crianças nessa idade no Nordeste, Norte de Minas Gerais, Espírito Santo e Acre sofriam de desnutrição aguda moderada ou grave. Pelo menos 13% apresentavam sinais de desnutrição crônica moderada ou grave. O UNICEF classifica ainda de inaceitável a taxa de analfabetismo das crianças de 11 a 14 anos em 12 estados brasileiros. Nessas regiões, o número de menores analfabetos nessa faixa etária supera a taxa dos adultos. O Pará é o estado onde a situação é mais crítica, com 31% da população de 11 a 14 anos sem saber ler e escrever. O Piauí vem logo em seguida, com 30%, e o Amazonas em terceiro com 26%. O UNICEF estima que de cada grupo de mil crianças que entra na escola, apenas 220 concluem a oitava série. Desse total, somente 45 completam o 1o. grau sem repetir nenhuma das oito séries. O estudo entregue a FHC aponta ainda que, de nove metas de melhoria das condições de saúde das crianças, seis delas só serão alcançadas no Norte e Nordeste se for dado "muito apoio" a essas regiões. Os compromissos assumidos com a Cúpula pela Criança que precisam de atenção especial são, entre outros: eliminação do tétano neonatal; redução em 95% das mortes por sarampo e 90% dos casos dessa doença; distribuição de vitamina A para 80% das crianças entre dois e cinco anos e universalização da iodatação do sal (JB).