O candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PDT, Francisco Rossi de Almeida-- que disputará o segundo turno com Mário Covas (PSDB)--, tem um ídolo: Emílio Garrastazu Médici, o general que dirigiu com mão de ferro o regime militar no Brasil, nos anos 70. Rossi não esconde de ninguém sua admiração por ele. Há 22 anos, em dezembro de 1972, fez questão de tornar público o que pensava do então presidente. "Médici é o meu ídolo, ele é o maior cabo eleitoral deste país". Rossi tinha sido eleito, pela Arena, para sua primeira gestão como prefeito de Osasco (SP). Afinado com os generais, em maio de 1976, Rossi defendeu a permanência do AI-5 "para punir os responsáveis". Chegou a articular a criação de um partido político, o Movimento Estudantil Camponês Operário, com o objetivo da "defesa da permanência do AI-5". O perfil político de Rossi é tão polêmico quanto o crescimento de seu patrimônio. Quando assumiu o primeiro mandato, era proprietário de um Fusca ano 69 e de uma casa de quatro cômodos. Depois, foi deputado federal (Arena e PTB) duas vezes e, em 1989, tornou-se outra vez prefeito de Osasco, agora pelo PTB. Também chegou a ocupar o cargo de Secretário de Esportes no governo Paulo Maluf. A lista de posses do candidato alcança US$1,9 milhão distribuídos em casas, terrenos, linhas telefônicas, aplicações financeiras e automóveis. Em 1989, Rossi licenciou-se da prefeitura de Osasco para conduzir a campanha de Fernando Collor de Mello à Presidência da República. Em setembro de 1990, saiu em defesa de seu plano econômico. Em 1990, na reta final da campanha ao governo do estado, Rossi subiu no palanque ao lado do então governador Orestes Quércia (PMDB), fazendo campanha de Luiz Antônio Fleury Filho. Agora, no PDT, não poupa o PMDB: "O governo Fleury é frouxo e com a cara do Quércia" (O ESP).