O Ministério Público Eleitoral concluiu ontem que o virtual presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), não utilizou a máquina do governo federal na sua campanha. De acordo com o vice-procurador-geral eleitoral, Antônio Fernando Barros de Souza, as investigações da Corregedoria Eleitoral demonstraram que o ministro da Integração Regional, Aluízio Alves, e o ex-ministro das Minas e Energia, Alexis Stepanenko, citados na denúncia, não praticaram nenhum ato em benefício da eleição de FHC. Barros de Souza esclarece que o desejo de Stepanenko de inaugurar obras públicas para reforçar a candidatura de Cardoso não se concretizou, pelos obstáculos existentes no ministério que dirigia. "A definição de novas obras demandaria um tempo incompatível com o da campanha eleitoral", esclareceu. Segundo Barros de Souza, não basta o desejo, a vontade e intenção da autoridade pública de agir em benefício de candidato a cargo eletivo. "É indispensável que, concretamente, a autoridade tenha se comportado de forma ilícita prevista na lei", afirmou. "Vale dizer, que tenha usado indevidamente, desviado ou abusado do poder de autoridade ou político". O mesmo julgamento se aplica ao ministro Aluízio Alves, que desejava acelerar as obras de transposição do rio São Francisco, mas, de fato, não o fez. O inquérito sobre o uso da máquina federal foi aberto a pedido do próprio Ministério Público e do PT, PMDB e PDT, há 45 dias (O ESP).