PETISTAS ADMITEM DERROTA POLÍTICA

O comando da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu ontem ter sofrido uma derrota política por não ter conseguido levar o candidato ao segundo turno das eleições presidenciais, apesar do bom desempenho do PT nas disputas pelos governos estaduais e pelo Congresso. Tentou, por outro lado, amenizar a frustração com o argumento de que outros candidatos derrotados não conseguiram cumprir com a sua parte, obtendo votações pífias. Lula reagiu melhor à derrota do que nós da coordenação, que estamos
82873 chateados porque não conseguimos alcançar o objetivo principal, que era
82873 elegê-lo presidente. O desempenho de Lula foi aquém do que esperávamos.
82873 Mesmo assim, estamos com a sensação do dever cumprido. Fizemos a nossa
82873 parte. Quem não fez a parte deles foram o Amin (PPR), o Quércia (PMDB) e
82873 o Brizola (PDT), avaliou o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, vice- presidente nacional do PT. Greenhalgh evitou admitir explicitamente a derrota política, ao contrário de José Luiz Fevereiro, da Executiva Nacional do PT e também integrante da coordenação de campanha: "O PT teve um excelente resultado no global, mas temos que reconhecer que houve uma derrota política porque toda a estratégia foi traçada a partir de um cenário que partia da vitória de Lula", disse ele. O comando político da campanha não aceita, contudo, que a derrota de Lula seja atribuída exclusivamente a um ou alguns grupos em que se divide o PT. Todos teriam a sua parcela de responsabilidade porque sobrariam argumentos a qualquer dos lados. Os chamados moderados, por exemplo, reclamam da incapacidade da cúpula do partido de fazer alianças mais amplas nos estados, o que teria prejudicado o desempenho de Lula. "Em parte, eles têm razão. Mas outros poderiam argumentar que os moderados insistiram num namoro impossível com os tucanos, o que engessou por muito tempo a definição da estratégia de campanha", pondera Fevereiro (O Globo).