As escaramuças ideológicas entre as organizações humanitárias e ecologistas, de um lado, e o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BIRD (Banco Mundial) de outro, terminaram ontem em Madri (Espanha), com o encerramento da 49a. Assembléia Anual das duas instituições, mas a luta continua, segundo ambas as partes. A Assembléia Anual que marcou o 50o. aniversário da criação do FMI e do BIRD, transformou Madri não só na capital financeira do mundo como também num campo de batalha entre os administradores do sistema capitalista e os defensores dos pobres e do meio ambiente. As organizações Greenpeace (ecologista), Ajuda Cristã (caridade) e Oxfam (humanitária), por exemplo, publicaram relatórios com críticas detalhadas dos programas do BIRD na América Latina, às quais o Banco replicou. Antes que os enfrentamentos que marcaram a Assembléia passassem a outras frentes, o presidente do BIRD, Lews Preston, aproveitou sua última entrevista coletiva ontem para disparar mais uma vez contra os que "tentam nos desviar de nossa agenda de desenvolvimento". "Havia uma tentativa deliberada por parte de alguns de desviar a atenção da agenda de desenvolvimento durante essas sessões, mas minha resposta é a seguinte: não nos demoverão". Em interpretação da atividade do Banco que seus críticos rejeitam taxativamente, Preston continuou: "Estamos mais comprometidos do que nunca em ajudar os pobres e contamos com o apoio renovado de nossos membros para conseguir isso". Preston insistiu em que o BIRD leva em consideração os critérios ecológicos, ao afirmar que colaboramos com muitas ONGs. Ao mesmo tempo acrescentou, em evidente alusão ao Greenpeace, que "existem também ONGs isoladas cujas atividades envolvem teatralidade e que só querem chamar a atenção e aparecer nos jornais". Em vista do tom do discurso de Preston, o diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, adotou e utilizou em seu discurso um dos lemas dos grupos: "A solidariedade é a ternura dos povos". Ainda assim, Camdessus não abandonou a receita que o Fundo propõe para seus membros: grandes doses de liberalização, a primazia do mercado e o ajuste estrutural (GM).