Os petroleiros assinaram ontem acordo com o governo, pelo qual se comprometeram a encaminhar o imediato fim da greve que começou em 27 de setembro. A assinatura do termo de entendimento foi possível depois que o presidente Itamar Franco intermediou as negociações, chamando a Juiz de Fora (MG) os ministros da Fazenda, Ciro Gomes, do Trabalho, Marcelo Pimentel, de Minas e Energia, Delcídio Gomez e os presidentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) , Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Antônio Carlos Spiz. Pelos termos do acordo, os petroleiros são derrotados em suas principais reivindicações: o reajuste será apenas o que prevê a lei, como o repasse do IPC-r acumulado (13,54%) e abertura de negociações com a PETROBRÁS sobre outras cláusulas trabalhistas. Metade dos dias parados será descontada do salário em duas parcelas mensais; o restante será reposto em horas extras de trabalho. O governo se compromete a não fazer demissões retaliatórias contra os grevistas, mas não garante que não fará nenhuma demissão. Será concedida anistia definitiva aos sete dirigentes sindicais demitidos entre 1990 e 1991. Os petroleiros reivindicavam 108% de reajuste salarial mais 10% de produtividade. O governo tem proposta de sempre dialogar, e através do diálogo pudemos
82844 conseguir este acordo, respeitando as lideranças sindicais, que entenderam
82844 ser necessário pôr fim à greve. O país está de parabéns com este
82844 acordo, afirmou o presidente Itamar Franco. O presidente da CUT, Vicentinho, disse que o acordo demonstrou maturidade por parte dos trabalhadores. Ele afirmou que o documento representa ainda um novo relacionamento entre governo e sindicatos, já que ficou garantida a retomada das negociações das cláusulas sociais ainda não garantidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Os trabalhadores terão ainda direito ao pagamento, parcelado, de horas extra-turno atrasadas. Os passivos trabalhistas, segundo o acordo, serão negociados diretamente com a PETROBRÁS, e qualquer perda salarial acima do IPC-r será negociada depois (O Globo) (FSP).