BIRD REVELA ABANDONO DA INFRA-ESTRUTURA NO BRASIL

O próximo presidente do Brasil terá um imenso desafio pela frente no setor de infra-estrutura de acordo com os dados relacionados pelo Banco Mundial (BIRD) no Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 1994, que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) acaba de editar, indicando uma significativa queda na quantidade de quilômetros ferroviários no país e um acanhado crescimento de energia elétrica nas últimas três décadas. Apesar das dimensões continentais do Brasil e do baixo custo do transporte ferroviário de carga pesada, os quilômetros de linhas férreas no Brasil caíram dos 38.287 km contabilizados em 1960 para os 22.123 km de 1990. O relatório aponta ainda que, em contrapartida à queda no número de quilômetros ferroviários, o de estradas pavimentadas passou de 12.703 km em 1960 para 161.503 km. O relatório não relaciona dados sobre o estado de conservação dessas vias, embora muitas delas não ofereçam condições de segurança de tráfego. A capacidade de geração de energia elétrica, que passou de 4,8 bilhões de quilowatts instalados em 1960 para 52,89 bilhões em 1990, só foi suficiente porque o país entrou em recessão no final da década de 70 e experimentou ciclos consecutivos até este ano. O desempenho da economia na década fez com que a mesma capacidade saísse dos 4,8 bilhões de 1960 para os 33,29 bilhões de 1980. Ainda de acordo com o relatório, as terras irrigadas, que totalizavam 796 mil hectares em 1970, atingiram 2,7 milhões em 1990, ou seja, um incremento tímido para o imenso território brasileiro e a quantidade de estados cujo desenvolvimento agropecuário depende da irrigação. O acesso a água potável mostrou, no entanto, uma sensível melhoria, com 87% da população tendo acesso a esse serviço em 1990 em comparação a 55% em 1970. O acesso ao saneamento apresentou um quadro controverso, pois caiu de 72% da população com acesso em 1970 para 21% em 1980, voltando a atingir 72% em 1990 (O ESP).