O articulador nacional da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, está muito preocupado com a notícia de que o plano social do virtual presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), se baseará numa experiência realizada no México. Segundo soube Betinho, o plano social de FHC parte de ações dos governos federal, estadual e municipal, com participação das comunidades. É o contrário de tudo o que está sendo feito na campanha pela cidadania, que começa na sociedade e não recebe um tostão do Estado. Se realmente for este o plano de Fernando Henrique, será um retrocesso, diz Betinho. "Será um neogetulismo, um neopopulismo. Em vez de avançarmos na experiência de desatrelar do Estado os movimentos da sociedade, vamos voltar à tutela. É uma nova forma de estatismo, de colocar um cabresto na sociedade civil. Se há um ponto de fricção na relação do movimento Ação pela Cidadania com o futuro presidente indicado pelas pesquisas é essa ameaça de o governo tentar domesticar, se apropriar de um movimento desencadeado pela sociedade. A Ação pela Cidadania contrapõe a experiência de comitês autônomos, que levam às mudanças das políticas do Estado. Essa autonomia, para nós, é sagrada". Betinho diz que o razoável seria que o Estado fizesse o que tem que fazer, e que a sociedade também fizesse o que considera necessário. E que dialogassem. "Disseram que o México gastou US$4 bilhões e formou 100 mil comitês. Depois, eles tiveram Chiapas. No Brasil, formamos número semelhante de comitês, temos três milhões de pessoas engajadas no movimento, e não gastamos um real do governo. Qualquer intervenção nesse trabalho não mereceria ser feita por um sociólogo com a formação de Fernando Henrique. Nem o partido dele, o PSDB, parece ter vocação para PRI", disse Betinho (JB).