Para atacar os problemas sociais do país, o virtual presidente eleito Fernando Henrique Cardoso (PSDB) vai criar uma entidade, semelhante ao atual Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), e investir só no próximo ano R$4 bilhões no programa "Comunidade Solidária". O projeto, destinado a combater a fome e a pobreza, é inspirado no modelo do México, onde foram criados 64 mil comitês de solidariedade, e prevê a volta do programa de distribuição de leite criado no governo Sarney. O programa pretende garantir um litro de leite por dia a cada família considerada pobre. O coordenador do programa de governo, economista Paulo Renato Souza, disse que, além dos recursos orçamentários, o investimento na área social poderá aumentar nos anos seguintes através de financiamentos internacionais e da canalização de recursos privados. Os tucanos ainda não sabem quantos brasileiros serão beneficiados, mas acreditam que este número não chegará a 32 milhões, total usado pelo programa da fome do governo Itamar Franco e que é considerado superestimado. Sobre a adoção de um programa de renda mínima, inspirado em proposta do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), os assessores do candidato garantem que não existe nenhuma orientação neste sentido. Com os recursos destinados a este programa, o governo pretende também garantir assistência técnica e financeira aos assentados pelo programa de reforma agrária, apoio a cooperativas e a programas de canalização de água e irrigação no Nordeste. Os recursos também serão usados para abrir linhas de crédito para micro e pequenas empresas, cooperativas, associações comunitárias de produção e de serviços, com o objetivo de aumentar o número de empregos. O programa também manterá e ampliará a descentralização do processo de distribuição da merenda escolar (JB).