FMI ABRE REUNIÃO EM CLIMA TENSO

Enfraquecido pela resistência dos países ricos em aumentar o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) como autoridade monetária internacional, o diretor-gerente da instituição, Michel Camdessus, abriu oficialmente ontem, em Madri (Espanha), a Reunião Anual do FMI e Banco Mundial (BIRD) apelando pela cooperação dos governos, para que o FMI possa funcionar como principal supervisor dos movimentos financeiros internacionais. A Reunião Anual do FMI e BIRD, realizada no aniversário de 50 anos da criação das duas instituições, foi marcada também por uma queda-de- braço, sem vencedores, entre os representantes dos sete maiores países do mundo (G-7) e seu diretor-gerente. Apoiado pelos países em desenvolvimento, liderados pela Índia e o Brasil, Camdessus, nos encontros que antecederam à abertura da Reunião Anual, tentou obter, do comitê interino do Fundo, autorização para aumentar a emissão dos Direitos Especiais de Saque (DES), a moeda do fundo que pode ser utilizada pelos países como reserva internacional. A medida, vista como um passo na transformação do FMI em uma espécie de Banco Central dos bancos centrais do mundo, foi bloqueada pelo G-7, abrindo o confronto mais grave já ocorrido entre o diretor-gerente e os países mais ricos. O que estava em discussão, no fundo, era se os DES poderão aos poucos se
82815 transformar em uma moeda de reserva internacional, ou se continuarão sendo
82815 usados como uma linha de socorro a países em dificuldades, avalia um dos técnicos que participaram da discussão. Camdessus propôs a emissão de 36 bilhões de DES (cerca de US$50 bilhões), pretensão brecada pelo G-7, que propôs, em troca, uma emissão especial de 16 bilhões de DES, que seriam distribuídos da seguinte forma: 3,1 bilhões para os países do ex- bloco socialista, 8,3 bilhões para os mais pobres e 4,3 bilhões para os países em desenvolvimento. A proposta do G-7, além de minimizar a importância desejada por Camdessus para os DES, exigiria uma alteração dos estatutos do Fundo, tarefa para dois anos, na avaliação de especialistas como o representante brasileiro junto ao FMI, Alexandre Kafka. O Brasil, através do pronunciamento de Kafka no comitê interino, teve um papel decisivo para que os países em desenvolvimento, liderados pela Índia, bloqueassem a proposta do G-7 e a criação de qualquer novo tipo de auxílio, adiando a decisão sobre os DES e deixando em perigo a situação econômica da Rússia, país que depende da ajuda do Fundo para impedir o colapso de suas contas externas. Um veemente protesto da Greenpeace marcou ontem a 49a. Assembléia Anual do FMI-BIRD. Dois militantes da organização, credenciados como participantes da conferência, burlaram a segurança, subiram no teto do pavilhão onde se inaugurava a assembléia, desfraldaram uma bandeira e jogaram panfletos sobre os participantes, acusando o BIRD de fomentar a destruição do meio ambiente e da camada de ozônio. O FMI e o BIRD reagiram com irritação mas seus representantes afirmaram que continuam abertos ao diálogo com as ONGs (JB).