Se tudo funcionar como está previsto no programa de governo do PSDB, sete milhões de famílias carentes passarão a receber R$40,00 por mês, a partir de algum momento de 1995. Em princípio, essa seria a medida inicial de maior impacto do futuro governo Fernando Henrique Cardoso, para honrar o compromisso de campanha de dar prioridade à área social. O programa de renda mínima, embora possa ter maior impacto publicitário e efeito mais imediato, não é o eixo da política social do futuro governo. Nesse capítulo, a "Comunidade Solidária" é a menina dos olhos do virtual presidente eleito e do coordenador de seu programa de governo, Paulo Renato Souza. Trata-se de uma adaptação para a realidade brasileira do programa mexicano de nome parecido ("Solidariedade"). Em resumo, é uma parceria entre a União, estados e municípios, com participação e fiscalização da comunidade organizada, para a realização de obras e serviços nas áreas mais carentes. Funciona assim: primeiro, localizam-se os grandes bolsões de pobreza absoluta. Em seguida, a comunidade local discute e fixa prioridades. Construção de uma escola, por exemplo. Depois, unem-se os três níveis de governo, eventualmente com trabalho voluntário da população, para construir a escola. Em princípio, o "Comunidade Solidária" substitui todos os ministérios e agências governamentais que hoje cuidam do atendimento social. Pelo peso e repercussão política do programa, o provável é que o responsável por ele fique subordinado diretamente à Presidência (FSP).