CAIAPÓS ESTÃO CONTAMINADOS POR MERCÚRIO

Mais de 300 índios da nação caiapó, no sul do Pará, estão contaminados por mercúrio utilizado em garimpos de ouro. A conclusão consta do trabalho realizado por professores da Universidade de Brasília (UnB), da Unicamp e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A pesquisa constatou que os índices de contaminação ultrapassaram os limites fixados como suportáveis pela OMS. De acordo com o estudo, os índios apresentaram sinais de contaminação no sangue, urina e cabelos. Segundo o levantamento dos professores, a contaminação orgânica (ingestão) que atingiu os caiapós indica que o mercúrio já foi absorvido pelo organismo, que já pode estar em fase de destruição. De posse desses dados, a Procuradoria Geral da República examina o pedido de ação indenizatória apresentado pela ONG Associação Vida e Ambiente (AVA), ex-Fundação Mata Virgem, contra a FUNAI, o IBAMA e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A Procuradoria, antes de dar andamento ao pedido, pretende pedir explicações aos três órgãos do governo sobre os danos causados aos índios. No trabalho realizado pelos professores-pesquisadores foram examinados 625 moradores das aldeias Gorotire e Djudjetictire, localizadas às margens do Rio Fresco, afluente do Xingu. 417 índios, 142 garimpeiros e 66 ribeirinhos foram pesquisados com a coleta de amostras de cabelo, sangue e urina. Os professores concluíram que os garimpeiros também estão sendo contaminados pelo uso indiscriminado do mercúrio. Os índios foram contaminados pelos alimentos, principalmente os peixes, e os garimpeiros pelo ar, com a absorção dos vapores de mercúrio (O ESP).