AMBIENTALISTAS ATACAM BIRD E FMI

A entidade ambientalista Rainforest Action Network abriu uma polêmica, na semana passada, com um anúncio publicado no jornal "The New York Times", criticando o desperdício de bilhões de dólares dos impostos dos contribuintes norte-americanos em empréstimos aos países em desenvolvimento, que resultaram em fracasso econômico-social e degradação do meio ambiente. O anúncio saiu ao mesmo tempo em que se intensificou a campanha "50 anos bastam", integrada por 85 ONGs dos EUA e 100 outras de todo o mundo, e que questiona os financiamentos do Banco Mundial (BIRD) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) a esses países. Segundo as ONGs, é hora de decretar uma moratória nos programas do BIRD e do FMI, suspendendo as dotações dos países industrializados para as duas entidades até que elas revejam suas políticas ou, simplesmente, deixem de existir. A proposta da campanha para a reforma das instituições de Bretton Woods (os 50 anos do acordo estão sendo comemorados em uma conferência em Madri, na Espanha) "a fim de que elas passem, de forma positiva, a apoiar um desenvolvimento equitativo e sustentado", compreende quatro grandes pontos: 1) Aumento da transparência do BIRD e do FMI e integração das populações afetadas pelos projetos na formulação, implementação, monitoramento e avaliação dos programas e políticas; 2) Ampla reorientação das políticas de financiamento, de forma a promover desenvolvimento equitativo e sustentado, a partir das perspectivas e prioridades de homens e mulheres afetados por essas políticas; 3) Fim dos empréstimos que resultam em destruição do meio ambiente e apoio aos projetos baseados na conservação dos recursos naturais; 4) Redução do financiamento, do débito e do poder do BIRD/FMI e reorientação dos recursos para programas de assistência ao desenvolvimento. Uma das maiores críticas da campanha "50 anos bastam" à atuação do BIRD refere-se ao deslocamento forçado de milhões de pessoas, geralmente populações pobres, em consequ"ência da construção de represas, estradas, usinas térmicas e canais de irrigação. Segundo estudo de Mimi Kleiner, do Environmental Defense Fund, em alguns casos o deslocamento é feito com espancamentos, prisões e outras violações dos direitos humanos e aproveitado por empresários inescrupulosos que embolsam a indenização. O estudo afirma que os deslocamentos agravam a pobreza porque "privam as pessoas de suas fontes tradicionais de sobrevivência e as leva a competir com outras por recursos mais escassos, provocam o rompimento de laços familiares e comunitários, a erosão de culturas minoritárias e o estabelecimento de sistemas econômicos baseados no trabalho servil, migratório e em salários deprimidos". A ação do BIRD está criando um exército de "refugiados do desenvolvimento", observa. O perdão da dívida dos países com o BIRD e o FMI e o fim dos empréstimos dessas entidades para a promoção de "reajustes estruturais"-- que "empobrecem ainda mais o povo e os trabalhadores, causando destruição social, econômica e ambiental"-- são defendidos pela campanha "50 anos bastam". No final de 1993, a dívida externa dos países em desenvolvimento ascendia à cifra de US$1,7 trilhão, segundo a campanha (JB).