Com o resultado de três pesquisas de boca-de-urna nas mãos indicando a vitória ainda no primeiro turno, a equipe de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) começou ontem mesmo a pensar na organização do trabalho de transição. Entre as idéias que já estão esboçadas para o início do governo, uma pelo menos é de grande impacto: a revisão dos 100 maiores contratos que representem 90% dos investimentos do governo federal. A intenção (que ainda depende de confirmação oficial) não é a de fazer uma devassa no governo Itamar Franco ou em nenhum dos anteriores, mas apenas rever prazos e formas de pagamento, reexaminar os processos de licitação e evitar, com isso, qualquer possibilidade de corrupção. Outras decisões já tomadas dizem respeito à estrutura do Palácio do Planalto e à configuração do ministério. Serão criadas, por exemplo, três coordenações. Uma política, ligada ao Gabinete Civil, cujo comando (pelo menos no início) será do presidente; outra, de planejamento, que formulará toda a ação governamental; e uma terceira coordenação operacional que funcionará na secretaria-geral da Presidência. Com isso, os ministros perdem a prerrogativa de formular, devendo apenas executar as ordens do Planalto. Haverá, no entanto, exceções: os ministros da Educação e da Saúde serão pessoas de estrita confiança de FHC (JB).