O presidente do TSE, ministro Sepúlveda Pertence, não tem dúvidas: comparada à disputa presidencial de 1989, a campanha para as eleições gerais deste ano teve um nível surpreendentemente bom. Pertence só lamenta a fragilidade da legislação eleitoral, especialmente no que diz respeito ao financiamento de campanhas. Ao bônus eleitoral, o presidente do TSE só tem críticas. "O bônus ficou uma instituição manca. Tornou-se um recibo de luxo, o mais caro da história da contabilidade", diz. Pertence admite, porém, que a legislação possa ter sido um pouco rígida demais em relação ao horário eleitoral gratuito, ao restringir a veiculação de imagens de estúdio. Mas, ainda assim, prefere a fórmula adotada agora à de 1989. "As limitações foram excessivas? Talvez sim. Mas houve menos tentativa de vender candidato como se fosse lingerie", pondera. Mais grave do que a forma do programa, na opinião de Pertence, é a administração do horário das eleições proporcionais. Pertence, aliás, acha que a eleição parlamentar acabou minimizada por coincidir com a presidencial. "Não sou entusiasmado com o sistema de coincidência geral das eleições. Temos uma vocação presidencialista muito acentuada", diz. O presidente do TSE também não se furtou a tratar de um dos assuntos mais em moda entre candidatos à Presidência: os ataques às pesquisas eleitorais. "Até onde eu pude verificar, os cientistas políticos não concordam com essa influência devastadora. Mas que há influência é evidente", afirmou (O Globo).