Hoje, dois anos depois, o massacre de 111 presos no pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo virou plataforma política de candidato a deputado estadual. Nenhum dos acusados foi punido pela Justiça e nenhuma vítima foi indenizada. Pelo contrário, a chacina do Carandiru poderá até render votos nas urnas, amanhã. Se eleitos, pelo menos dois candidatos a deputado estadual deverão formar a "bancada 111". Eles adotaram a centena 111 como número de campanha e defendem idéias "antibandidos". O coronel da reserva da PM Ubiratan Guimarães (PSD), 51 anos, é o "111" mais autêntico. Em 1992, ele comandou pessoalmente a invasão do pavilhão 9, para sufocar a rebelião de presos que resultou no massacre de 111. O deputado estadual Afanasio Jazadji (PFL), 43 anos, tenta se reeleger com o número 25.111. Se conseguir, vai para a "bancada 111". Além dos números, Jazadji e Guimarães estão unidos pelo discurso. Defendem o fechamento do Complexo Carandiru, a pena de morte para crimes hediondos e o fim de algumas regalias dos presos-- como o direito a "visitas íntimas" (FSP).