BID VAI REPASSAR RECURSOS ÀS ONGs DO RIO DE JANEIRO

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está prestes a investir no combate aos problemas sociais da América Latina, através de organizações não-governamentais. Quando isso acontecer, o BID estará associado, por exemplo, a empresas privadas brasileiras e a ONGs do Rio de Janeiro (RJ), todos investindo juntos em áreas sociais críticas. Esta "química pós- moderna" pode fazer com que "o Rio, que tem sido visto como o grande problema, venha a se tornar a grande solução do país", avalia Miguel Darcy de Oliveira, um dos diretores da Civicus, uma ONG internacional que coordena doações de fundações ou de pessoas físicas para fortalecer ações da cidadania. "Se conseguirmos dar esta virada, ela terá impacto mundial", acrescenta. O BID destinará de US$200 milhões a US$300 milhões para projetos de cunho social. E ainda não se sabe o quinhão que caberá ao Rio, mas o valor do investimento talvez não seja o mais importante. "A entrada do BID no campo social é uma sinalização de que organismos internacionais estão começando a assimilar uma pauta social", acredita o antropólogo Rubem César, do ISER. "E esta agência tem um grande poder de alavancagem, de geradores de recursos", lembra Rubem. Um projeto-piloto de investimentos sociais do BID, com um fundo de US$9 milhões, já está sendo realizado na cidade, através de ONGs como Se essa rua fosse minha, Idac, Flor do Amanhã e Arquidiocese do Rio. A virada idealizada por Darcy tem como base um mutirão do chamado "terceiro setor", não-governamental e não-lucrativo. Esta aliança pode se tornar, lembra ele, numa fonte de financiamentos de projetos do Viva Rio, como a retirada de crianças das ruas, a Fábrica de Esperança de Acari, o plano de policiamento comunitário de Copacabana e a Casa da Paz de Vigário Geral (JB).