Um levantamento-- feito por pesquisadores ligados à Pastoral do Migrante da Cúria Metropolitana de São Paulo-- aponta que cerca de 60 mil imigrantes latino-americanos vivem e trabalham clandestinamente na Grande São Paulo. Conduzida pelo padre Sidney Antonio da Silva como parte de seu mestrado em antropologia, a pesquisa diz que a maioria dos clandestinos trabalha em regime de semi-escravidão em confecções de roupas nos bairros do Pari, Bom Retiro e Brás (zona central) e Vila Guilherme e Casa Verde (zona norte), onde trabalham por até 16 horas diárias, dormem e fazem refeições. De acordo com o padre Silva, vivem em São Paulo 80 mil bolivianos, 50 mil paraguaios e 20 mil peruanos, nem todos em situação irregular. Ele descobriu que os imigrantes ilegais saíram de seus países a partir do início dos anos 80. Segundo o religioso, os bolivianos-- cerca de 32 mil-- são a maciça maioria entre esses clandestinos, seguidos pelos paraguaios-- 20 mil-- e peruanos-- oito mil. A pesquisa diz ainda que a maioria dos imigrantes ilegais trabalha para seus conterrâneos que estão há mais tempo na cidade e têm sua situação legalizada junto à Polícia Federal (O Globo).