Um gravador colocado no comitê de campanha do deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB), filho do ministro da Integração Regional, Aluizio Alves, captou uma conversa em que o parlamentar oferece verbas a quem ajudar a eleger seu tio, Garibaldi Alves Filho, ao governo do Rio Grande do Norte. A gravação mostra o diálogo travado há uma semana entre Henrique e o ex-vereador Damião Luís Medeiros, que falava em nove de três prefeituras. Em certo trecho, Damião pergunta a Henrique, candidato à reeleição: "O que o ministro tem a oferecer pra eles?". Henrique responde: "Na faixa de R$80 mil, um projeto nessa faixa (...) Todos os prefeitos que apóiam Garibaldi agora, o Ministério depois ajuda". Henrique Alves contesta a legitimidade da gravação, obtida clandestinamente, mas não o teor: "Se eu não ajudar os correligionários, eles vão recorrer a quem?". O senador Lavoisier Maia, que disputa o governo pelo PDT, classifica de "escândalo" o episódio, mas ele também vem recebendo apoio da administração estadual. No mesmo período em que se esgotava o eleitoreiro projeto de transposição do Rio São Francisco, que ajudou a consolidar seu irmão em primeiro lugar nas pesquisas, Aluizio assinou dezenas de convênios com prefeituras. As verbas se destinam, na maioria dos casos, a "obras emergenciais", calçamento de ruas ou construção de barragens, matadouros e sanitários públicos. Como o Orçamento da União para 94 ainda não foi votado, o Ministério vale-se das verbas do duodécimo, adiantamentos mensais, para os quais não se exige dotação específica. Excluindo Natal, que recebeu cerca de R$2,5 milhões para se recuperar dos temporais de julho, os convênios com municípios do estado somaram R$2,9 milhões. As verbas variam de R$13 mil, para cidades pequenas, a R$326 mil para médias. Coincidentemente, a maioria dos municípios é administrada por prefeitos que apoiavam a candidatura de Lavoisier Maia ao governo e hoje apóiam Garibaldi Alves Filho (JB).