O lançamento de um programa de incentivo ao pequeno produtor rural forçou o presidente Itamar Franco a ouvir críticas à política agrícola do governo sem poder retrucar. Na solenidade, ontem, no Palácio do Planalto, o secretário de política agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Ítalo Cielo, reclamou do atraso na liberação de recursos e do tratamento prioritário que o Banco do Brasil tem dado para seus correntistas. Durante o discurso do sindicalista, Itamar por três vezes falou ao ouvido do ministro da Agricultura, Synval Guazzelli, e discretamente parecia cobrar uma resposta do governo às críticas. O ministro justificou a demora na liberação de R$228 milhões. Segundo ele, os técnicos do Ministério da Fazenda temiam que a operação do BB pudesse elevar as taxas do mercado. A alternativa foi aproveitar os depósitos das estatais que são feitos no Banco Central e transferi-los para o BB. O dirigente da CONTAG reclamou ainda dos altos custos de financiamento para compra de máquinas agrícolas. Para reforçar sua argumentação, ele disse que um produtor de Santa Catarina comprou um trator em cinco parcelas e as duas primeiras já pagaram o preço de mercado. O Programa de Valorização da Pequena Produção Rural (Provap) irá liberar R$228 milhões para custeio na primeira etapa e no ano que vem os produtores terão R$350 milhões para comercialização. Os beneficiários são os proprietários de terras de até 60 hectares que pertencerem a uma associação ou cooperativa, além de depender de no mínimo 80% da renda na atividade agrícola (JB).