A PRODUTIVIDADE DO SETOR SIDERÚRGICO NO MERCOSUL

A reestruturação da indústria siderúrgica do MERCOSUL, impulsionada pela privatização e maior abertura econômica do Brasil e da Argentina, permitiu aumentos substanciais de produtividade do setor, muito superior à evolução média da produtividade internacional. Em 1990, a siderurgia dos países que compõem o MERCOSUL-- Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai-- apresentava um índice de produtividade que era, em média, 44% do nível de produtividade do Japão, o maior fabricante mundial de aço. Em 1993, essa diferença caiu significativamente, e as usinas siderúrgicas da região, num total de pouco mais de 40 unidades, atingiram patamar de produtividade de 75,5% em relação ao Japão ou de 71% na comparação com a Europa Ocidental. A constatação faz parte de amplo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), denominado "Diagnóstico de Competitividade Industrial". Concluído no mês passado, sob a coordenação da consultora Maria Beatriz Nofal, ele é um dos mais detalhados levantamentos comparativos da siderurgia do MERCOSUL. Também no âmbito intra-regional houve maior equilíbrio entre os níveis médios de produtividade de aço do Brasil e da Argentina. Isso porque a produtividade média da indústria argentina em relação à brasileira passou de 71,2%, em 1992, para 74,5%, em 1993, em termos de produção de aço bruto. Quanto aos produtos acabados, a produtividade da Argentina, de 95,8% em 1993, superou, no ano passado, em 18% a produtividade brasileira. A indústria siderúrgica da região emprega 124 mil pessoas de forma direta. Destas, 102,3 mil estão nas usinas brasileiras, o que representa uma redução de oito mil trabalhadores de 1992 para 1993. E o estudo do BID observa que os salários pagos na siderurgia do MERCOSUL, mais baixos que os do mercado internacional, não constituem vantagens competitivas, pois eles se compensam com a menor produtividade física da mão-de-obra. No Brasil, a produtividade média da mão-de-obra na siderurgia foi, no ano passado, de 277 toneladas/ano. Um volume bem acima do total da Argentina (202,2 toneladas/homem/ano), mas bastante abaixo do Japão (320 toneladas) ou da Europa Ocidental (340 toneladas). Ainda assim, vem sendo observada importante melhoria nos níveis de produtividade física da mão-de-obra do MERCOSUL. Mas a principal vantagem comparativa da produção siderúrgica brasileira, com um total de 25,2 milhões de toneladas de aço brupo em 1993, representando um valor bruto de produção de US$10,85 bilhões, está no custo do minério de ferro, o menor entre os principais produtores de aço do mundo. Pelos levantamentos do documento do BID, as usinas brasileiras adquirem o minério de ferro por US$7 a tonelada e os fretes variam de US$20 a US$80 por tonelada, de acordo com as distâncias. Para a Argentina, o preço do minério ultrapassa US$16 por tonelada/Fob e, com o custo do transporte, o preço CIF fica entre US$38 e US$44 a tonelada-- um valor 100% superior ao praticado para as usinas brasileiras (GM).