O presidente Itamar Franco determinou ontem aos dirigentes das empresas estatais em greve que destituam os funcionários com cargos de confiança que estejam colaborando com os movimentos. Itamar ordenou também que seja cortado o ponto dos empregados que não comparecerem ao trabalho. A PETROBRÁS informou, em nota oficial, que os petroleiros em greve não estão cumprindo a determinação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de manter um efetivo mínimo de 30% de pessoal nas refinarias para garantir o abastecimento de combustíveis. Por sua vez, o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Antonio Carlos Spis, garantiu que a categoria está cumprindo a lei. Segundo ele, dentro das unidades estão trabalhando os turnos completos que não foram rendidos quando a greve teve início. Ontem, no segundo dia de greve, a adesão continuou entre 90% e 100% nas áreas operacionais, segundo avaliação dos sindicalistas, e em torno de 60% nas áreas administrativas. O presidente da PETROBRÁS, Joel Mendes Rennó, disse que a greve dos petroleiros leva à conclusão de que a estatal não merece mais o monopólio do petróleo. O ministro da Fazenda, Ciro Gomes, classificou a greve de oportunista e eleitoreira, mesma posição do presidente da estatal, que ameaça demitir petroleiros, se o TST confirmar amanhã que a greve é abusiva. O ministro da Fazenda confirmou que não haverá desabastecimento de combustível no país, em decorrência da greve. Ele afirmou que o governo cumprirá os limites impostos pela legislação, ao conceder reajuste salarial à categoria, para não abrir um precedente que permita a reindexação da economia. O presidente da PETROBRÁS disse que não há justificativas técnicas e econômicas para a greve. Segundo ele, os petroleiros ganham em média US$1,5 mil por mês, já receberam os 13,39% de reajustes oferecidos pela empresa, pagos no último dia 26, e que não há problemas de segurança no trabalho (O Globo).