Defensor intransigente da moralidade pública, o candidato do Prona à Presidência, o médico cardiologista Enéas Carneiro, tem uma prática profissional que não corresponde ao seu discurso político. A direção do Hospital do Câncer, no Rio de Janeiro (RJ), informou que Enéas é médico da instituição desde 1980, mas foi colocado em disponibilidade em julho de 1990 por excesso de faltas. A assessora de comunicação do hospital, Anna Maria Funke, disse que o afastamento de Enéas foi decidido por uma comissão de avaliação. "Ele faltava demais e não estava preenchendo os requisitos necessários", informou. Não é uma medida frequ"ente no hospital. Em 1990, só outro médico foi punido além de Enéas. O candidato continua afastado do hospital. Após dois anos em disponibilidade, obteve uma licença sem vencimentos em abril de 1992. Favorecido pela legislação eleitoral, o candidato voltou a receber o salário do hospital em junho deste ano para fazer campanha. De acordo com o Boletim Interno no. 28 do hospital, publicado no dia 15 de julho, ele obteve uma licença com vencimentos, para desempenho de "atividade política", válida até 18 de outubro. Cardiologista que se gaba de ser um dos maiores especialistas na interpretação de eletrocardiogramas do país, Enéas ingressou no Hospital do Câncer por concurso público em março de 1980. Segundo Anna Maria, ele está lotado no Departamento de Cardiologia e recebeu, em setembro, salário de R$1.046,42 brutos-- o valor corresponde ao penúltimo cargo de nível superior da instituição (NSA-2) (O ESP).