De cada 100 estudantes da Universidade de São Paulo (USP), apenas um é negro. Esse "apartheid" não é uma exclusividade da USP, maior instituição acadêmica do país, que abriga 45 mil alunos. Ocorre que a maioria dos negros brasileiros tem origem pobre, sua formação escolar é precária e eles são barrados no vestibular das boas universidades brasileiras. Uma entidade que reúne estudantes negros da USP, o Núcleo de Consciência Negra, criou recentemente um cursinho pré-vestibular cuja meta é diminuir esse desequilíbrio. O cursinho reúne 80 estudantes negros de 2o. grau, recrutados na periferia paulista, e sua meta é ajudá- los a ingressar em universidades públicas. As aulas são gratuitas. Desde o mês passado, o curso funciona todas as noites na sede do Núcleo, no campus universitário da USP. Além do currículo habitual, há uma disciplina a mais no pré-vestibular, chamada "Cidadania e Consciência Negra". Sempre aos sábados, uma personalidade ou um professor faz uma palestra sobre a realidade dos negros no Brasil (JB).