O Índice de Preços ao Consumidor do real (IPC-r), a taxa oficial de inflação, caiu para 1,51% em setembro. A inflação acumulada no real chegou a 13,56%, percentual que vai reajustar os salários dos trabalhadores com data-base em outubro. Mesmo tendo sido baixo, o índice só agravou a defasagem salarial dos trabalhadores, segundo avaliação do coordenador de Produção Técnica do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), Antonio Prado. Ele argumentou que os trabalhadores já entraram no real com perda acumulada desde março, quando houve a conversão do salário para a URV (Unidade Real de Valor). De acordo com o DIEESE, os trabalhadores entraram com uma defasagem de 9,6% na era real, percentual referente à variação menor da URV ante o Índice do Custo de Vida calculado pela entidade no período de março a junho. Para ser justo, a referência para o cálculo das perdas salariais deveria ter sido o mês de março, defende o economista. O problema se agrava, segundo ele, porque, mesmo decrescente até agora, existe inflação, que só é repassada aos salários na data-base (JB).