BIRD PROMETE ATACAR A POBREZA NA AMÉRICA LATINA

O Banco Mundial (BIRD) vai pedir o apoio dos países latino-americanos para lançar, nas próximas semanas, uma nova iniciativa para financiar a infra- estrutura dos países latino-americanos. O BIRD estima que a região precisa investir US$60 bilhões ao ano para recuperar a infra-estrutura deteriorada e viabilizar o crescimento futuro. O BIRD está convencido de que os países latino-americanos terão de dobrar a taxa média do crescimento dos últimos anos, de 3,4%, se quiserem resolver o problema crucial da pobreza. Os dados do banco indicam que existem 160 milhões de pobres na região e que os 20% mais pobres detêm apenas 4% da renda. O vice-presidente do BIRD para a América Latina e o Caribe, Shahid Burki, acha que a região tem potencial para repetir o "milagre asiático" e crescer aceleradamente por um longo período. Para isso, contudo, tem de resolver vários gargalos. Infra-estrutura é um deles, ao lado de um aumento na taxa de poupança, melhor educação e mais flexibilidade no mercado de trabalho. A iniciativa do banco para infra-estrutura prevê três áreas de atuação: assistência técnica, garantias para captações desses países nos mercados privados e apoio para ampliar os prazos dessas captações. Burki vai discutir o esquema com os ministros latino-americanos, incluindo o do Brasil, na reunião anual do BIRD e do FMI nesta semana e na próxima em Madri (Espanha). O ponto de partida do programa é a admissão de que as necessidades de recursos para infra-estrutura são grandes demais para serem preenchidas pelo BIRD apenas. É preciso contar com o setor privado e ajudar a melhorar as condições de acesso. Uma das idéias do programa é o BIRD oferecer garantias a fatores de risco que inibem o setor privado em financiar essa área na América Latina. Especialmente risco de performance dos projetos, como explicou Burki. Uma instituição financeira privada pode, por exemplo, estar relutante em financiar um projeto energético, ou uma rodovia, por duvidar que a política de tarifas se manterá intacta. O banco, neste caso, poderia garantir esse fator de risco (GM).