BIRD PREVÊ CRESCIMENTO SE O PLANO REAL DER CERTO

O Plano Real possui duas virtudes importantes, um apoio político mais amplo do que os planos anteriores e flexibilidade. Mas tem alguns desafios importantes pela frente. O principal deles é ter uma consistência fiscal mais ampla. Se o Brasil fizer o ajuste fiscal e o plano funcionar, poderá crescer mais de 5% no próximo ano, nas projeções do Banco Mundial (BIRD). Se o plano fracassar, crescerá não mais do que 2%. O vice-presidente para a América Latina e o Caribe do BIRD, Shahid Javed Burki, enfatizou ontem, em Madri (Espanha), durante a reunião anual FMI/BIRD, a importância de se ter um ajuste fiscal o mais rápido possível, incluindo questões espinhosas como a divisão de responsabilidades entre os governos federal, estaduais e municipais. O economista-chefe que trabalha com Burki, Sebastian Edwards, foi mais específico. Seu cálculo é que o Brasil precisaria melhorar a situação das finanças públicas em cerca de 3% do PIB, passando, de um déficit operacional em torno de 1%, neste ano, para um superávit de 2%. "É preciso que a opinião pública tenha claro que não é possível adiar o ajuste. A prioridade absoluta deve ser o combate à inflação", afirmou. Sem um ajuste fiscal adequado, ambos concordam, será preciso manter a política monetária apertada e os juros altos. Edwards está preocupado com o ritmo de remonetização, ou seja, da expansão monetária ocorrida em razão da brusca queda da inflação. Existem vários problemas a resolver. Burki lembrou que a questão dos bancos estaduais é delicada. É preciso impedir que esses bancos tenham condições de criar moeda de forma independente, mas o problema deve ser tratado com prudência. Ele advertiu que se os bancos estaduais não forem impedidos de financiar déficits governamentais porão em risco a estabilidade da economia brasileira. Para aumentar a eficiência do setor público e garantir o aumento da arrecadação, é necessário aumentar o salário do funcionalismo, inclusive o da Receita Federal, afirmou o vice-presidente do BIRD. O aumento do salário dos fiscais da Receita é um dos principais componentes do programa de reestruturação fiscal que o banco apóia na Argentina, informou. Por outro lado, será necessário reduzir a quantidade de pessoal do setor público, para melhorar sua eficiência. "É preciso pagar melhor, a menos pessoas", disse (GM) (JB).