Ao mesmo tempo em que se realiza em Madri (Espanha) o encontro anual do Banco Mundial (BIRD) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), ecologistas e sociólogos se reúnem para criticar as duas instituições. O movimento, chamado As Outras Vozes do Planeta, foi criado em maio, nos EUA, e quer o fim dos empréstimos que prejudiquem o meio ambiente, programas de reformas positivas e uma maior transparência nas atividades das organizações. O BIRD e o FMI incluíram na agenda oficial do encontro a discussão de reformas em sua estrutura, o que não é considerado suficiente pelos críticos, que lançaram a campanha 50 Anos é o Bastante, referindo-se à idade das instituições internacionais. Os projetos do FMI causam, segundo os membros do movimento, desastres sociais e ecológicos, desestabilizando governos e aumentando a distância entre países ricos e pobres. Susan George, autora de vários livros sobre dívida internacional, disse que o BIRD prejudica quem deveria ajudar: "As taxas de mortalidade estão crescendo e os organismos criam escolas pagas onde não existiam. A maior parte da produção de alimentos costuma ser destinada à exportação para a obtenção de moeda forte, o que aumenta o índice de desnutrição". O Banco Mundial também é acusado de emprestar dinheiro para a exploração de recursos naturais, favorecendo grandes empresas e governos, mas prejudicando a população local. O movimento Outras Vozes do Planeta planeja visitar o local do encontro das duas instituições internacionais no dia cinco de outubro com uma série de propostas de redirecionamento da economia mundial (JC).