BRASIL QUER INTEGRAR CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU

Em discurso que inaugurou a 49a. Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, anunciou oficialmente a intenção do país em ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, hoje integrado apenas pelos EUA, Rússia, França, Inglaterra e China. Amorim defendeu a participação dos países em desenvolvimento no Conselho "como passo importante e necessário no caminho de democratização e grande legitimização da Assembléia Geral". No pronunciamento, o chanceler ainda classificou como intolerável o boicote político e econômico a Cuba. Por outro lado, apoiou o esforço internacional empenhado em devolver o poder ao presidente Jean-Bertrand Aristide, do Haiti, deposto por golpe militar. Celso Amorim lamentou o sofrimento por que passa o povo cubano e pediu o fim da atual política de exclusão daquele país do cenário de participação internacional. O chanceler brasileiro também abordou as relações Norte-Sul em seu discurso. Segundo ele, "nos últimos 20 anos a brecha entre as nações ricas e pobres se ampliou, entre os milhões de pessoas adequadamente alimentadas e educadas e os milhares de milhões que lutam para sobreviver". Amorim disse acreditar na necessidade de "uma profunda reformulação dos objetivos da ONU na promoção do desenvolvimento". Ele anunciou que está propondo a realização de uma Cúpula sobre o Desenvolvimento em 1996, em que seriam discutidas essas questões. "Um renovado esforço internacional a favor do desenvolvimento só terá êxito sob uma ativa e vantajosa associação mútua entre o Norte e o Sul", garantiu. "Nenhuma outra premissa ao mandato das Nações Unidas será mais adequada que o apoio e a promoção da paz e o estabelecimento de uma ordem justa e estável". O chanceler brasileiro disse ainda que "o unilateralismo e o protecionismo não têm mais lugar num mundo cada vez mais globalizado. A Organização Internacional do Comércio, que substituirá o GATT, abrirá perspectivas promissoras para o relacionamento econômico entre os países". Para Amorim, "a globalização e a liberalização econômicas não resultaram ainda em crescimento e bem-estar para os países pobres. O custo dos reajustes nos países ricos não deve racair sobre os pobres. O desenvolvimento das nações é o único caminho para o progresso" (O ESP) (O Globo).