O PFL, principal parceiro do PSDB na sucessão presidencial, já está sentindo as dificuldades que enfrentará na composição de um eventual governo Fernando Henrique Cardoso. A primeira dificuldade para que o partido tenha um espaço maior no Ministério decorre da decisão de Cardoso de diminuir o número de pastas. A segunda, de acordo com um articulador parlamentar do partido, é a vontade que os políticos do PSDB têm de governar o país. "Os tucanos têm sede de poder", disse um importante pefelista. Segundo lideranças do PFL, à medida que se aproxima o dia da eleição, os tucanos vão mudando o tratamento dado aos aliados. Em conversas reservadas, eles fazem questão de deixar claro quem vai mandar no governo. "Quem conduziu a campanha? Quem fez o programa de governo? Quem fez o programa para a TV?" perguntava ontem um dirigente do PSDB, ao afirmar que os tucanos darão as cartas. "O PFL vai aderir, não vai impor", completou. A supremacia dos tucanos foi reafirmada, de forma mais diplomática, pelo presidente do PSDB, Pimenta da Veiga. "O núcleo político central de sustentação do governo e de formulação de suas políticas será o PSDB", afirmou. Para garantir o controle do governo pelos tucanos, FHC pretende uma coordenação que funcionará no Palácio do Planalto. A idéia é impedir que se reproduzam as práticas de governos em que cada ministro fazia o que queria (JB).