O Brasil deve produzir este ano algo em torno de 320 milhões de livros. Menos de três milhões irão parar nas estantes das 2.800 bibliotecas públicas, 300 bibliotecas universitárias e de um número não definido de bibliotecas escolares. É um problema. Se estivéssemos na Alemanha, França ou EUA, a fatia da produção editorial encaminhada para os estabelecimentos públicos de leitura seria 30 vezes maior. Mas, paradoxalmente, não é a atualização dos acervos que vem sendo discutida pelos que elaboram políticas para a área. "Biblioteca é bem mais que uma coleção de livros. Há mais de dez anos de trabalho pela frente para que essa proposta se generalize", diz Marcio de Souza, diretor do Sistema Nacional de Bibliotecas na Fundação Biblioteca Nacional. "Precisamos acabar com essa concepção do século 19 que vê a biblioteca como instituição cristalizada. Não dá mais para concebê-la como acervo bibliográfico. Ela deve ser um centro de informação pública", diz, por sua vez, Luis Augusto Milanesi. Ele dirige o Departamento de Atividades Regionais da Cultura da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, que mantém 400 bibliotecas conveniadas no interior de São Paulo. Como o Orçamento da União para este ano não foi ainda votado pelo Congresso, as bibliotecas públicas deixaram de receber para a compra de novos livros algo em torno de US$1 milhão. É o que diz Armando Antogioni Filho, presidente da Câmara Brasileira do Livo. O dinheiro seria distribuído sob a forma de cheques com os quais as bibliotecas fariam suas compras em livrarias de suas regiões (Ilustrada-FSP).